Misericórdia - Uma decisão do coração

quarta-feira, abril 27, 2016


Hoje vamos falar de misericórdia, que longe de ser algo piegas e sentimental, é um comportamento e não só um comportamento é uma graça, quando se torna uma realidade em nossa vida, que mesmo quando não se compreende, esta ligada ao crescimento.

Deus manifesta sua misericórdia dessa forma, às vezes acaricia, por vezes corta, mesmo que nós em meio ao jardim da vida ou do deserto de situações difíceis, não acreditemos que isso seja bom. Mas o Rosto Misericordioso de Jesus sempre apareceu em minha vida em meio aos cortes e das podas, foram várias, algumas mais dolorosas que outras, hoje agradeço a Deus pelas podas. Nem sempre o remédio é doce, mas, Deus envolve tudo com Misericórdia. O rosto misericordioso de Deus é o seu amor que nos leva a santidade e a plenitude de Deus e isso também significa uma luta constante e escolhas conscientes, só assim poderemos crescer nesse fluxo de quedas e superações, assim poderemos ser o que Deus sonhou que fossemos.

Muitos confundem misericórdia com uma compunção sentimental, com "dó". Segundo, Padre Reginald Garrigou-Lagrange, a "misericórdia, que é uma virtude da vontade, e a piedade sensível, que não passa de uma louvável inclinação da sensibilidade". Esta última – que "nos leva a nos compadecer dos sofrimentos do próximo, como se nós o sentíssemos em nós mesmos" – é própria apenas dos seres humanos, não de Deus, "já que [Ele] é um espírito puro".

Assim, nessa afirmação vemos que sentir pelo outro é uma atitude humana esperada, a misericórdia de Deus é uma decisão do seu coração, por ser um espirito não tem emoções e sim decisões, decidiu-se assim a ser misericordioso, mover seu coração para junto do nosso.

"Não é próprio de Deus contristar-se com a miséria de outrem" . Mas, é própria de Deus a misericórdia, que é fundada na vontade. Ao dirigir-se às criaturas, Ele sempre as ama misericordiosamente (São Tomás de Aquino).

É essa mesma decisão que Deus nos orienta, assim como o amor não é um sentimento mas uma decisão, assim também é a misericórdia.

"Deus age misericordiosamente, quando faz alguma coisa não em contrário, mas, além da sua justiça. Assim, quem desse duzentos dinheiros ao credor, ao qual só deve cem, não pecaria contra a justiça, mas agiria liberal ou misericordiosamente. O mesmo se daria com quem perdoasse a injúria, que lhe foi feita; pois, quem perdoa, de certo modo dá; e por isso o Apóstolo chama ao perdão, doação (Ef 4, 32): Perdoai-vos uns aos outros como também Cristo vos perdoou. Donde resulta que, longe de suprimir a justiça, a misericórdia é a plenitude dela. Donde, o dizer a Escritura (Tg 2, 13): A misericórdia triunfa sobre o justo." (Suma Teológica, I, q. 21, a. 3, ad 2).

Pergunta-se, ainda, como conciliar a misericórdia divina com a existência do inferno. Para resolver esse problema, é preciso entender que o inferno existe não por uma deficiência do amor de Deus – que é, por essência, infinito –, mas por um abuso da liberdade humana. Quando um católico, por exemplo, que recebeu a graça de ser incorporado à Igreja, ter acesso aos Sacramentos, à vida dos santos e à Palavra de Deus, se fecha aos apelos do céu e endurece o seu coração, está vivendo uma realidade chamada "remorso". O remorso, longe de ser uma dor pela ofensa cometida contra Deus, é um "remordimento" de si mesmo, como um animal que se põe a lamber as próprias feridas. Nessa atitude, percebe-se uma rebelião contra Deus, uma atitude de orgulho que impede que a misericórdia divina aja efetivamente sobre a alma. Por isso, é necessário sempre pedir a Deus a graça do verdadeiro arrependimento de nossos pecados (Padre Paulo Ricardo).

Remorsos não é arrependimento. É ego ferido.

O orgulho é o vicio mais temido pelos santos, a soberba cega a alma e é o maior impedimento para a ação da misericórdia. Assim a misericórdia de Deus precisa que exista humildade e arrependimento real do coração para uma ação efetiva. Entre nós isso também é verdadeiro, sem arrependimento verdadeiro a efetividade da misericórdia entre nós também é baixa.

O fato é que o remorso é uma auto piedade, um auto compadecimento, que não leva a nada. É até diferente da culpa, pois enquanto a culpa tem relação consigo mesmo (culpar-se) o remorso tende a culpabilizar alguém, no caso Deus ou as pessoas. Por isso é como um animal ferido que se lambe, fazendo assim uma "auto adulação".

Muitos confundem amor, misericórdia e caridade (todas decisões do coração) com o ato de adular e por isso, nunca a encontram. O remorso (como orgulho ferido) e a culpa (como auto condenação) só possuem utilidade efetiva quando nos levam a buscar em nós a humildade de pedir perdão. Entre nós e a Deus.

O orgulho tem muitas formas de se expressar, além da auto adulação e de responsabilizar outros, existe também a tendência de usar o maior atributo de Deus para não pedir perdão, nem mesmo ao próprio Deus que dirá aos outros. Essa é uma forma mais profunda e ardilosa mas fácil de notar, portanto devemos ter muito cuidado, a misericórdia é efetiva num coração contrito e arrependido que pede perdão, pois este é o ato que expressa seu arrependimento e decisão de mudança. Isso vale para a misericórdia entre nós, para que vivamos em harmonia, e também para que recebamos a ação da Misericórdia Divina, sendo que, claro, esta antecede aquela, pois é a sua fonte.

Paz e bem. 

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